
Conteúdo escrito por Jennifer Craco
Chatbots são quase uma onipresença em sites atualmente. Quase toda grande empresa já tem seu próprio atendente virtual, e o Instagram recentemente divulgou robôs movidos por inteligência artificial e que estarão disponíveis para conversas descontraídas na plataforma. O fato de não haver um ser humano conversando com você do outro lado da tela (e sim um robô) pode soar atrativo para pessoas neurodiversas, como sujeitos que tenham diagnósticos de autismo ou ansiedade, pois oferece um ambiente livre de riscos. Porém, um ensaio publicado no Journal of Behavioral Addictions destaca que a falta de conversação genuína e habilidades emocionais com robôs on-line pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades sociais no mundo real, potencialmente aumentando o isolamento social.
Diferentemente dos robôs que encontramos em sites de empresas, que apenas respondem às nossas dúvidas e raramente engajam em conversações mais “profundas”, chatbots sociais são vistos como um meio seguro para indivíduos com dificuldades sociais praticarem interações com risco limitado de julgamento negativo. No entanto, a falta de resistência e visão contrária nos chatbots pode resultar em conversas controladas pelos usuários, o que pode ser contraproducente para o desenvolvimento de habilidades sociais apropriadas. Os robôs, afinal, são incapazes de ter uma conversa real, sentir emoções humanas e demonstrá-las de forma apropriada, o que os difere de um interlocutor real.
Andrew Franze, pesquisador principal do ensaio publicado e estudante de Psicologia da UniSA, destaca que os chatbots podem oferecer alívio imediato para a ansiedade social, mas alerta para o risco de dependência, afastando os usuários de interações humanas reais. Ele enfatiza a importância de reunir evidências, incluindo feedback de educadores e terapeutas, para orientar políticas e práticas industriais responsáveis no uso de chatbots.
Por fim, como a tecnologia ainda é muito recente, há necessidade de estudos mais abrangentes para compreender melhor esses impactos e desenvolver práticas responsáveis para o uso de chatbots. E o que você pensa sobre isso?
Neuroscience News. (2023, December 11). AI Chatbots May Hinder Social Skills in Neurodiverse Individuals. Neuroscience News. https://neurosciencenews.com/chatbots-ai-neurodiversity-social-25347/

Júlio Gonçalves
Psicólogo e Supervisor
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