
Um sistema computacional conhecido como Virtual Epileptic Patient (VEP – “paciente epiléptico virtual”, em tradução livre) tem sido utilizado para criar modelos virtuais que representam o cérebro de pessoas com epilepsia, como se fosse um “gêmeo virtual” do indivíduo com o transtorno.
Esses modelos são criados usando dados de exames do próprio sujeito, e podem ajudar a permitir tratamentos mais eficazes da doença, mostrando aos neurocirurgiões precisamente quais zonas são responsáveis pelas convulsões.
Essa abordagem, parte do Human Brain Project (que é uma iniciativa europeia focada na pesquisa do cérebro digital), está sendo testada para avaliar se melhora a taxa de sucesso da cirurgia de epilepsia – que, atualmente, é de apenas 50%.
Com esses modelos e o uso de Inteligência Artificial, se espera que os médicos possam identificar a zona epileptogênica dos sujeitos de maneira mais precisa.
Porém, há algumas limitações: o padrão das convulsões pode mudar com o tempo e pode se espalhar por caminhos atípicos, vindos de regiões que não são amostradas por alguns exames, o que significa que não podem ser modelados no VEP. O modelo VEP também pode recomendar a realização de cirurgia em uma área maior do cérebro do que seria normalmente operada, dizem os pesquisadores, e vai exigir fortes evidências para convencer os médicos de que vale a pena correr esses riscos.
Por fim, o mais difícil é provar que esses algoritmos ou esses novos modelos são realmente clinicamente benéficos.
Naddaf, M. (2023). How virtual models of the brain could transform epilepsy surgery. Nature, 616(7956), 227–228. https://doi.org/10.1038/d41586-023-00990-6

Júlio Gonçalves
Psicólogo e Supervisor
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